O Slackline também é para mulheres!

Por Pedro Silva

Para um desporto que tem as suas raízes na comunidade de escaladores do vale de Yosemite, e se foi espalhando pela Europa através de outros praticantes que haviam visitado esse mesmo vale, é fácil de se perceber porque é que este desporto foi e continua sendo dominado pelo sexo masculino. Isto porque desde sempre o slackline esteve associado á escalada, e basicamente era difundido pelo “passa a palavra” entre os praticantes desta modalidade, como tal, sendo a escalada um desporto dominado pelo sexo masculino, especialmente em zonas fanáticas como o vale de Yosemite, era de se esperar que o mesmo acontecesse com o slackline. Eventualmente o desporto tornou-se comercial, mais especificamente na vertente do tricklining, e com isso veio a publicidade, permitindo então uma difusão do desporto mais ampla e não tão concentrada no sexo masculino e praticantes de escalada. Cada vez mais vemos atletas a virem dos mais variados backgrounds desportivos, desde a ginástica desportiva, os desportos de rua como o skate, bmx, patins em linha, etc. Inclusive, uma das figuras mais emblemáticas do desporto é o atleta Cihan Calis, famoso pela criação do estilo “gambit”, no qual se notam os distintos traços do breakdancing.

E o resultado desta propagação do desporto é visível, hoje em dia existem praticantes de slackline femininas a um nível altíssimo, basta ver a brasileira Giovanna Petrucci, uma trickliner fenomenal que está ao nível de alguns dos melhores atletas masculinos, assim como a Ellie Schulte, Melissa Bowe, entre outras dentro da vertente do trickline.

Mas a balança continua definitivamente desequilibrada, especialmente na vertente do highline. E é aí que entra uma personalidade muito conhecida na cena do highline Mundial, Faith Dickey, detentora de 5 recordes mundiais femininos, com um repertório imenso de highlines caminhadas e estabelecidas, e uma das poucas pessoas que actualmente vive o desporto a nível profissional. Faith Dickey é também a organizadora do evento anual “Girls Only Slackline Festival”, que já conta com 4 edições, cujo objectivo é proporcionar a todas as slackliners pelo mundo fora uma oportunidade de praticar o highline na companhia de outras mulheres, sem a presença de algum homem. Este projecto que teve como “empurrão” a necessidade que Faith notou de se criar uma atmosfera especial para as mulheres, e após ter notado que algumas praticantes expressavam sentir-se intimidadas com homens por perto, tem sido um sucesso, e um excelente meio para trazer mais mulheres a esta vertente do desporto.

Dito isto, tenho a certeza que cada vez mais veremos mulheres a caminhar uma fita no parque, descobrindo os prazeres escondidos deste desporto maravilhoso, e percebendo que o slackline pode ser praticado por qualquer um, seja qual for o seu sexo, idade, peso, ou até mesmo antecedentes desportivos, é um desporto completamente compatível com qualquer pessoa e o resto são desculpas.